por João Campos
em resposta a um email com considerações de alguém em relação ao seu emprego
Depois a história da acção não corresponder ao teu ser.Há imensa gente com problemas semelhantes.
Ainda hoje eu escrevia sobre isto.
Há que distinguir entre aquilo que nos dá dinheiro e o nosso projecto.
Com frequência, confundimos entre uma coisa e outra, confundimos o projecto de outrém, a empresa de outrém, com o nosso projecto, confundimos a nós próprios com o nosso trabalho... em suma: envolvemo-nos demasiado no trabalho.
Por vezes o nosso ser autêntico não nos permite continuar em determinado emprego.
Por vezes, é mesmo útil continuar, mas percebendo que é apenas o nosso ganha pão e nada mais. Rigorosamente nada a acrescentar. Se procuramos realização, convívio, o que for, é melhor procurarmos fora e nas restantes horas do dia. Isso permite um estar mais saudável, um maior profissionalismo (mesmo que os outros não concordem por toparem que estamos mais distanciados, menos envolvidos), uma maior objectividade, etc.
excerto da resposta a outro mail, de outra pessoa, sobre o mesmo assunto
isto, no campo profissional, é assim:- ou estamos no projecto da nossa vida- ou percebemos que não estamos (ainda bem, nem sempre percebi) edeixamos de confundir a empresa onde estamos com o projecto da nossavidaentão, ainda para mais quando não sabemos qual o projecto da nossa vida:- para quê querer que a empresa funcione segundo os nossos padrões deexcelência?- porque não mentalizarmo-nos que é apenas o trabalho que nos dádinheiro, respeitá-lo e honrá-lo, mas sem demasiada entrega eenvolvimento?depois, quando descobrirmos quem somos e tivermos o nosso projecto,podemos despedirmo-nos e criá-lo, ou se passar pelo sitio, ondeestamos, transformar esse sítio para melhor.o chato é que, por vezes, para descobrirmos a nós próprios convémdespedirmo-nos previamente.